Entre tantas teorias doidas na minha cabeça, penso que a felicidade é um ponto de avaliação do amadurecimento. Quando somos jovens idealizamos a felicidade como um conjunto tão grande de coisas que a tornamos quase impossível no nosso cotidiano. Associamos ela ao 'ter', ter estabilidade financeira, ter os desejos realizados, ter status, ter amigos, ter um corpo desejado, ter uma vida perfeita. Nessa fase, temos felicidade e não somos felizes. Isso é tão efêmero, é algo que pode ser perfeitamente comprado; a felicidade começa quando notamos que conseguiremos algo desejado e acaba quando conseguimos. Nessa fase em questão, acho que ninguém quer ser feliz, na verdade, queremos aparentar felicidade e, ainda ouso a dizer, quem faz algo pra buscar essa tal "felicidade verdadeira" (vou chamá-la assim) não é visto com bons olhos. Quem nunca rotulou alguém pelo gosto peculiar? Quem nunca chamou de louco, alguém que teve coragem de abandonar velhos paradigmas, de deixar algo pra trás em nome do que traria felicidade?
E o que me faz quase comprovar essa louca teoria, é que todos que eu conheço já passaram por isso, e infelizmente, ainda vejo uma grande maioria nessa busca insana por TER felicidade. Não estou julgando ninguém, até porque como já disse, realmente penso que isso é uma fase da evolução, do amadurecimento.
Eu, infelizmente, não tenho esse desapego todo que estou cultuando e não posso negar. Sou materialista, sou infantil, e por isso, ás vezes me sinto infeliz e injustiçada pelo mundo. Não tenho 50% de tudo que eu queria, materialmente falando, mas o que me deixa feliz, é saber que o pouco que tenho, consegui honestamente, economizando, trabalhando e planejando.
Já a minha visão romântica da vida, fez com que eu atrelasse a minha felicidade, muitas vezes, à pessoas. Sofria demais com a perda de "amores" egoístas, de amizades eternas que duravam uma balada. Isso durou até pouco tempo, quando fui obrigada a conviver mais comigo mesma e aprender que eu precisava deixar ir quem não queria ficar. E nessa dinâmica, o que ficou e resistiu, se mostrou verdadeiro e para minha surpresa, me deixou feliz. Nunca senti tanto alivio por perder, acho que o peso que carregava por atrelar minha felicidade à pessoas, era grande demais para esse ser de corpo franzino e mente frágil, pois tudo que acontecia me afetava num grau demasiado exagerado, tanto as coisas boas, como as ruins. Era uma simbiose perfeita, mas prejudicial. A felicidade que eu tinha era fazer parte de algo idealizado, mas que provou não ser verdadeiro.
Tenho que admitir, que eu não procurei essa mudança, infelizmente; queria poder dizer que eu havia percebido onde estava o que realmente me deixava feliz, mas na realidade, foi muito traumático. No começo era uma dor imensa, perder o chão não é fácil. Poderia até "psicologizar" um pouco e falar da resiliência, dessa capacidade que temos de pegar essas situações adversas e transformá-las em vontade de superar de algum modo, mas ficaria tão chato. O fato é que eu precisava de um choque, pra poder entender que tudo estava errado. Quando me vi caindo num limbo, tive ao meu lado pessoas que me deram total apoio, não por dó, mas por me conhecer plenamente e, por isso, ainda enxergavam em mim um valor que tinha esquecido, empurrado pra de baixo do tapete, pra poder ter a felicidade efêmera, a mais fácil de conquistar. Ainda me envergonho de lembrar.
Apesar da dor intensa, agradeço a tudo e todos que tiveram algum papel nisso.
Tenho que admitir, que eu não procurei essa mudança, infelizmente; queria poder dizer que eu havia percebido onde estava o que realmente me deixava feliz, mas na realidade, foi muito traumático. No começo era uma dor imensa, perder o chão não é fácil. Poderia até "psicologizar" um pouco e falar da resiliência, dessa capacidade que temos de pegar essas situações adversas e transformá-las em vontade de superar de algum modo, mas ficaria tão chato. O fato é que eu precisava de um choque, pra poder entender que tudo estava errado. Quando me vi caindo num limbo, tive ao meu lado pessoas que me deram total apoio, não por dó, mas por me conhecer plenamente e, por isso, ainda enxergavam em mim um valor que tinha esquecido, empurrado pra de baixo do tapete, pra poder ter a felicidade efêmera, a mais fácil de conquistar. Ainda me envergonho de lembrar.
Apesar da dor intensa, agradeço a tudo e todos que tiveram algum papel nisso.
Hoje em dia, convivo e me dedico à minha família, aos poucos amigos que me acompanharam nessa evolução, ao amor da minha vida, ao meu emprego e à vontade de fazê-los felizes. E como nada no mundo, isso não é perfeito (porque não precisa ser), mas me faz dormir com a certeza de que estou dando o meu melhor à coisas verdadeiras. Estou em paz e tentando SER feliz.
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